É SÓ FAZER AS CONTAS

Sabe aquele ditado popular: “Quem conta um conto aumenta um ponto”? Pois, no caso dos títulos do Festival de Parintins, parece que quem contou a história aumentou não apenas os pontos, mas também os títulos.

Em tese, esta pesquisa nem deveria ser necessária. Afinal, a história dos festivais e de seus campeões já deveria estar devidamente registrada — ou, como diz a toada, “gravada na história da tua memória”. Mas, depois de alguns anos apoiando o setor de disputas do Caprichoso, comecei a olhar com mais atenção para a contagem histórica dos títulos. E, sendo da área de exatas, uma coisa passou a me incomodar: os números simplesmente não pareciam fechar.

Foi essa inconsistência que me levou a fazer o mais básico: voltar ao início da história, conferir os festivais realizados, identificar em quais anos realmente houve disputa e comparar esses números com a quantidade de títulos que passou a ser repetida como verdade.

E foi aí que a conta começou a não bater.

O que eles dizem — e todos repetem

CAPRICHOSO27
×
33GARANTIDO
A contagem repetida como “verdade oficial”

Essa é a contagem que se consolidou e passou a ser repetida quase como uma verdade oficial. Ela aparece entre torcedores vermelhos e azuis, em veículos de imprensa, em páginas da internet e até mesmo em trabalhos acadêmicos.

E aqui está uma das coisas que mais me chamaram a atenção: praticamente todos reproduzem os mesmos números.

Não é difícil entender como isso aconteceu. Quando faltam registros históricos organizados e fontes documentais facilmente acessíveis, uma versão repetida durante anos acaba ocupando o espaço da verdade. E, neste caso, a contagem divulgada por uma das próprias partes da disputa foi sendo reproduzida, replicada e aceita sem que quase ninguém parasse para conferir se os números realmente faziam sentido. É verdade que reconstruir a história dos primeiros festivais não é tarefa simples. Muitos registros são escassos, parte importante da memória é oral e existem versões conflitantes sobre determinados anos.

Mas, antes mesmo de entrar nessas controvérsias históricas, há uma pergunta muito mais simples:

Será que ninguém parou para fazer as contas?

27 títulos do Caprichoso + 33 títulos do Garantido = 60 títulos

Logo, se existem 60 títulos, é porque houve 60 disputas, certo? Errado!

E aqui precisamos fazer uma pausa para explicar: a disputa dos bois acontece dentro do Festival Folclórico de Parintins — é um campeonato à parte. O Festival começou sem os bois, e o concurso que rege a disputa entre eles só teve início anos depois. Portanto, a quantidade de títulos dos bois deve ser, por regra, menor que a quantidade de festivais folclóricos.

É só fazer as contas

Deixemos as versões históricas de lado e vamos olhar apenas para os números.

Primeiro, o Festival de Parintins em si

  • O primeiro Festival Folclórico aconteceu em 1965 e somente não foi realizado em dois anos:
    • Em 2020, não houve festival nem disputa (pandemia de coronavírus);
    • Em 2021, não houve festival nem disputa (pandemia de coronavírus).
  • Em 2026, portanto, chegamos a 60 festivais realizados.

Agora, as disputas entre os bois

  • Em 1965, não houve disputa — os bois sequer foram convidados;
  • Em 1966, não houve disputa — apenas participações dos bois;
  • Em 1967, disputa simples, por aplausos — o nascedouro das disputas;
  • Em 1983, não houve disputa oficial;
  • Em 2000, o único empate da história.

Contemos!

60 festivais realizados − 3 festivais sem disputa (1965, 1966 e 1983) = 57 festivais com disputa

Não estamos falando de interpretação artística, preferência de torcedor ou rivalidade entre Caprichoso e Garantido. Estamos falando de matemática básica. A contagem oficializada pela repetição tem títulos a mais do que a própria história permite existir.

Como demonstrado, basta uma conta simples para perceber que existe algo errado na contagem histórica dos títulos.

E recontar não significa escolher resultados de acordo com a preferência de quem pesquisa. Também não significa substituir uma versão oral por outra versão oral mais conveniente. Significa voltar à história. Significa separar Festival realizado de disputa oficial. Significa procurar documentos, registros da época, atas, relatos dos organizadores e fontes que permitam reconstruir, ano a ano, o que realmente aconteceu.

Já passou da hora de o Caprichoso assumir as rédeas de sua própria história e contá-la a partir de suas memórias, de seus documentos e de seu lugar legítimo dentro do Festival de Parintins. Não é razoável permitir que a versão histórica produzida e difundida por apenas um dos lados da disputa continue sendo repetida como verdade absoluta — especialmente quando essa versão não resiste sequer à matemática básica.

Ao longo de mais de seis décadas de Festival, não pretendo explorar em detalhes todos os anos e todas as disputas. Vou me concentrar nos primeiros anos, fundamentais para compreender quando a disputa realmente começou, e nos episódios mais controversos — justamente aqueles que ajudam a explicar como a contagem chegou aos números que hoje todos repetem.

Para facilitar o acompanhamento, a cada virada de década apresentarei um placar parcial da recontagem.

Agora, sim, podemos voltar ao começo.

O começo de tudo

1965 O primeiro Festival, ainda sem os bois

O primeiro Festival Folclórico de Parintins foi realizado em 1965, organizado pela Juventude Alegre Católica (JAC), sob a liderança de Raimundo Muniz, Xisto Pereira e Lucinor de Souza Barros. O pontapé inicial aconteceu em 12 de junho, e a programação seguiu até o fim daquele mês, na Praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Mas é importante compreender o que era aquele primeiro Festival.

Tratava-se de uma festa ainda nos moldes de um arraial, criada para reunir grupos folclóricos, atrair o público e arrecadar recursos para as obras da Catedral de Parintins. Os grupos participavam como convidados, sem que existisse uma disputa entre eles. Caprichoso e Garantido, por sua vez, sequer foram convidados. Há relatos de que a ausência dos bois ocorreu pelo receio de confrontos. Naquela época, os encontros entre os dois rivais ainda podiam terminar em confusão — e, não raramente, até na delegacia. Portanto, a primeira conclusão desta recontagem é simples:

1965 teve Festival, mas não teve participação dos bois e, evidentemente, não teve disputa entre eles.

1966 Os bois chegam ao Festival, mas ainda não disputam

No ano seguinte, Caprichoso e Garantido passaram a participar do Festival. Mas participação não é sinônimo de disputa!

Os bois foram convidados com uma preocupação evidente da organização: evitar confrontos. Não havia obrigação de apresentação regular, tampouco um concurso oficial entre eles. As participações aconteciam de forma esporádica. Os bois se apresentavam por períodos curtos e, para evitar encontros e possíveis confusões, não eram colocados no mesmo dia. Além disso, o Festival ainda não era o centro da vida dos bumbás. Os bois continuavam ligados às brincadeiras de rua, às visitas às casas e aos seus próprios redutos, onde também conseguiam arrecadar recursos para manter a brincadeira.

Para o Caprichoso, havia ainda uma dificuldade adicional. Naquele período, o boi estava sediado no Aninga, e levar brincantes e estrutura até o centro de Parintins exigia uma logística que a agremiação não possuía. Existem versões orais que apontam 1966 como o ano da primeira disputa. No entanto, essa versão entra em conflito com relatos sobre a própria organização do Festival e com os registros de que ainda existia um grande receio de colocar os dois bois frente a frente. A conclusão, portanto, é novamente objetiva:

1966 teve Festival e teve participação dos bois, mas não teve disputa oficial valendo título.

1967 O Caprichoso foi o mais aplaudido

Neste ano, a participação dos bois avançou mais um passo. A semente da disputa foi plantada!

Além das apresentações esporádicas, ficou acordado que Caprichoso e Garantido se apresentariam no dia 24 de junho, data tradicional da saída dos bois para o pagamento de suas promessas, diretamente ligada às festividades de São João. Depois das apresentações, aproveitando a rivalidade que já existia entre os bumbás, o mestre de cerimônias pediu ao público que demonstrasse, por meio de aplausos, qual dos dois havia se apresentado melhor.

E o público presente azulou.

O Caprichoso foi o mais aplaudido, e o povo azulado voltou feliz para o Aninga. Mas aqui precisamos fazer uma distinção fundamental para esta recontagem: a manifestação do público, improvisada pelo mestre de cerimônias do Festival, foi a semente da disputa. Não havia concurso previamente estabelecido entre os bois, não havia regulamento, não havia comissão julgadora e não havia troféu ou medalha. Nem por isso o episódio deixa de ser historicamente importante. É por isso que o Boi Caprichoso considera essa a sua primeira vitória.

1967 — CAPRICHOSO

1968 A primeira disputa oficialmente combinada

O que aconteceu em 1967 repercutiu pela cidade. A decisão improvisada, tomada na base dos aplausos do público, mostrou que a rivalidade entre Caprichoso e Garantido já era forte o suficiente para transformar as apresentações dos bois em uma verdadeira competição. No ano seguinte, a organização do Festival decidiu premiar a disputa. Pela primeira vez, o vencedor receberia uma premiação que materializava o resultado, entregue pela Juventude Alegre Católica (JAC).

O critério, no entanto, continuava sendo o mesmo utilizado no ano anterior: os aplausos do público. E o Garantido soube jogar com a regra: seus padrinhos e apoiadores trataram de reforçar a presença vermelha no Festival. Levaram mais pessoas para a plateia, aumentaram os gritos. Funcionou.

1968 — GARANTIDO

1969 A resposta do Caprichoso

A estratégia utilizada pelo Garantido no ano anterior não passou despercebida.

Se o resultado continuaria sendo decidido pela manifestação do público, o Caprichoso entendeu que também precisava mobilizar sua gente. Familiares, amigos dos brincantes e torcedores foram incentivados a acompanhar a apresentação e reforçar os aplausos pelo boi azul. Somado ao apoio do público presente e à força da apresentação, o Caprichoso conseguiu superar o Garantido.

1969 — CAPRICHOSO

Mas o mais importante daquele momento talvez não tenha sido apenas o resultado. A disputa dos bumbás já havia se transformado em um concurso próprio dentro do Festival, separado das competições de quadrilhas e dos demais grupos folclóricos. Ao mesmo tempo, ficou evidente que decidir o vencedor apenas pela intensidade dos aplausos era um método frágil. Se cada grupo mobilizasse cada vez mais pessoas apenas para gritar e aplaudir, o resultado poderia depender mais da quantidade de apoiadores presentes do que daquilo que acontecia na apresentação.

A organização precisava encontrar outra forma de julgar. Era o fim da disputa decidida apenas no grito. Importante frisar que o concurso dos bumbás já nasceu como um concurso à parte dos demais concursos de quadrilhas, que já aconteciam nos mesmos moldes (aplausos). Por conta dos artifícios criados pelos padrinhos do Garantido, os organizadores perceberam que os demais agrupamentos folclóricos começariam a fazer o mesmo e resolveram criar corpos de júri para tornar as disputas mais justas.

Placar de 1967 até 1969
CAPRICHOSO2
×
1GARANTIDO
3 disputas

1970 Começam os jurados

Depois de três anos em que o resultado foi definido pelos aplausos do público, o Festival entrou em uma nova fase. Foi criada uma comissão julgadora para avaliar as apresentações dos bois, com os seguintes critérios:

  1. Evolução do Boi;
  2. Rainha da Fazenda;
  3. Pai Francisco;
  4. Mãe Catirina;
  5. Figuras Engraçadas;
  6. Opinião Pública.

O último item continuava sendo definido na base dos aplausos. Ou seja, a voz do público não desapareceu da disputa, mas deixou de ser o único critério para definir o vencedor. Pela primeira vez, Caprichoso e Garantido passaram a ser avaliados por um conjunto de itens.

1970 — GARANTIDO
1971

O Garantido venceu novamente e conquistou o primeiro bicampeonato da história das disputas do Festival.

1972

O Caprichoso interrompeu a sequência do contrário e voltou a vencer.

1973

Vitória do Garantido.

1974

Vitória do Caprichoso.

1975

O Festival passou a ser realizado, ainda extraoficialmente, pela Prefeitura de Parintins, que transferiu as apresentações para a quadra do Centro Comunitário Esportivo (CCE). Vitória do Garantido.

1976

Foi o último Festival realizado na quadra do CCE. Vitória do Caprichoso.

1977 A Prefeitura assume — e uma taça entregue por engano

Em 1977, o Festival Folclórico de Parintins entrou em uma nova fase. Por meio do Decreto nº 02/77-PGPMP, assinado pelo prefeito Raimundo Reis Ferreira, a Prefeitura de Parintins assumiu oficialmente a organização do Festival e transferiu as apresentações para o Parque das Castanholeiras, no Ginásio Poliesportivo Padre Silvio Miotto.

O Caprichoso venceu e, com a vitória, o boi azul conquistava, pela primeira vez, dois títulos consecutivos, igualando um feito que, até então, pertencia somente ao Garantido, bicampeão em 1970 e 1971.

Mas o resultado não veio sem confusão. Inicialmente, a coordenação do Festival chegou a anunciar o Garantido como campeão e até entregou a taça ao boi vermelho. Depois, porém, uma recontagem das notas identificou o erro, e o resultado foi corrigido.

A correção provocou uma grande revolta entre os torcedores do Garantido. Naquele mesmo ano, a Avenida Amazonas havia sido inaugurada, e a reação ao resultado terminou em depredação, com parte da vegetação e das mudas recém-plantadas sendo destruída. O troféu entregue por engano, por sua vez, jamais foi devolvido.

1977 — CAPRICHOSO

1978 O primeiro e único W.O. da história

O Festival de 1978 caminhava para mais uma disputa entre Caprichoso e Garantido. Mas o Garantido decidiu não participar.

A justificativa era que o Parque das Castanholeiras não seria um “campo neutro”, por estar localizado em uma área considerada reduto azulado. A Prefeitura, no entanto, era a organizadora oficial do Festival desde o ano anterior e manteve a realização do evento no local definido.

O Caprichoso compareceu. O Garantido, não.

Sem o adversário, o Caprichoso venceu por W.O. Esse deveria ser o ponto final da história. Mas não foi. O Garantido decidiu organizar sua própria festa em outro local, numa quadra onde hoje fica o Ilha Verde. Para não deixar de se apresentar — e também porque muitos brincantes já haviam investido na confecção das próprias fantasias —, realizou um evento paralelo e convidou outro boi para uma disputa: o Campineiro.

O problema é que aquela não era a disputa do Festival Folclórico de Parintins. Desde 1977, a organização oficial do Festival estava sob responsabilidade da Prefeitura, que realizou normalmente a edição de 1978 no Parque das Castanholeiras. Foi nesse Festival que o Caprichoso compareceu para disputar e foi desse Festival que o Garantido decidiu se retirar.

Por isso, não é possível transformar o resultado de uma festa paralela em título do Festival Folclórico de Parintins. Ainda assim, com o passar dos anos, a vitória do Garantido sobre o Campineiro passou a ser contada como se fosse um título oficial. E aqui encontramos um dos pontos centrais desta recontagem.

Em 1978, não houve dois Festivais Folclóricos de Parintins

Houve um Festival oficial, organizado pela Prefeitura, no qual o Caprichoso compareceu e o Garantido não se apresentou. E houve um evento paralelo, promovido pelo Garantido, com a participação do Campineiro. Misturar os dois acontecimentos é transformar duas histórias diferentes em uma só.

No Festival oficial: Caprichoso campeão por W.O. Com essa vitória, o Caprichoso tornou-se o primeiro tricampeão da história das disputas do Festival.

1978 — CAPRICHOSO

1979 O primeiro tetracampeão

Em 1979, o Festival mudou novamente de endereço.

Para comportar um público cada vez maior e permitir a cobrança de ingressos, as apresentações foram transferidas para o Estádio Tupy Catanhede, onde um tablado foi montado sobre o campo. A venda de ingressos também ajudava a gerar recursos para as agremiações folclóricas, embora a divisão do dinheiro entre os diferentes grupos ainda provocasse controvérsias.

Com a mudança de local, o Garantido voltou à disputa. Mas o resultado não mudou e, pelo quarto ano consecutivo, o Caprichoso venceu. Assim, depois dos títulos de 1976, 1977 e 1978, o boi azul conquistou sua quarta vitória consecutiva e tornou-se o primeiro tetracampeão da história do Festival.

A edição de 1979 também deixou outra marca importante: foi naquele ano que o Mestre Jair Mendes levou uma alegoria para a apresentação. A alegoria ainda não era item de julgamento e, portanto, não foi suficiente para mudar o resultado da disputa — mais uma semente havia sido plantada.

1979 — CAPRICHOSO
Placar acumulado até 1979
CAPRICHOSO8
×
5GARANTIDO
13 disputas

Os anos 80 — a busca pelo pentacampeonato

Os anos 80 começaram com o Garantido pressionado por uma sequência que jamais havia acontecido na história do Festival. O Caprichoso vinha de quatro vitórias consecutivas — 1976, 1977, 1978 e 1979 — e havia se tornado o primeiro tetracampeão da disputa, embora o título de 1978 tenha sido conquistado por W.O., e o Garantido afirmasse ter vencido uma disputa contra outro boi, em outro local. O fato era que nenhum dos dois bois havia conquistado cinco títulos seguidos. E era justamente esse recorde que o Caprichoso queria alcançar — e o Garantido queria impedir a todo custo.

1980 Uma mudança que transformou a disputa

Depois de quatro derrotas consecutivas, o Garantido voltou a vencer em 1980. Mas aquele Festival ficou marcado por uma grande controvérsia. Segundo relato de Jair Mendes, antes da realização do Festival, o Garantido chegou a considerar a possibilidade de não participar. Diante disso, o então prefeito Raimundo Reis teria chamado representantes do boi para discutir as condições necessárias para sua permanência na disputa.

Jair Mendes afirma que, por ser naquele momento o único artista integrante da Comissão Organizadora, apresentou uma lista com 36 itens que passariam a ser julgados. Segundo seu próprio relato, eram critérios construídos a partir de aspectos que ele conhecia profundamente — e nos quais sabia que o Garantido era forte. É importante separar as coisas: o relato de Jair Mendes é uma fonte sobre a origem e a formulação desses 36 itens.

Já os registros da Câmara Municipal de Parintins documentam outra parte da história: a enorme controvérsia que cercou o resultado daquele Festival. Em sessão realizada no dia 22 de agosto de 1980, o vereador José Maria Pinheiro levou o tema à tribuna da Câmara. A ata registra três pontos importantes:

Primeiro, a insatisfação com a divisão dos recursos arrecadados pelo Festival. Caprichoso e Garantido eram responsáveis por grande parte do público pagante, mas, segundo o vereador, recebiam valores insuficientes até mesmo para cobrir os gastos das apresentações.

Segundo, o reconhecimento ao trabalho da professora Maria do Carmo Gadelha, então à frente do Caprichoso — um registro histórico importante da presença de uma mulher no comando da agremiação.

Terceiro, a contestação direta ao resultado do Festival de 1980. José Maria afirmou em plenário que o título havia sido “roubado” para o Garantido. A própria ata também registra a manifestação do vereador Geraldo Medeiros, que relatou ter procurado o prefeito, na presença do vereador Ruy Mendes, para pedir a nomeação de outra comissão julgadora diante da insatisfação popular.

O pedido não foi atendido.

Nada disso, isoladamente, altera o resultado oficial de 1980. Mas também não permite tratar aquele Festival como uma vitória sem controvérsia. Houve mudança profunda nos critérios de julgamento. Houve contestação pública. Houve pedido de substituição da comissão julgadora. E houve registro formal de tudo isso na Câmara Municipal de Parintins.

(…) o edil José Maria pediu ainda que o Sr. Presidente enviasse à professora Maria do Carmo Gadelha votos de congratulações pelo Grupo Folclórico do Bumbá Caprichoso, em seu nome particular. Falou que ainda em agosto lembram os fatos do Festival 80, que deixou de ser representado no Estádio para ir até a Justiça. Falou que a Direção maior desse grupo tem que enfrentar com ignorância e com ódio, em forma de pagamento pelo grande trabalho que tiveram, os dois grupos, Caprichoso e Garantido, que levaram a maior renda para o Estádio e receberam apenas Cr$ 60.000,00 (sessenta mil cruzeiros), o que não dava nem sequer para o gasto que fizeram para a apresentação da primeira noite. Lamentavelmente, não se sabe em que foi gasto o dinheiro que foi apurado. Falou que o grupo teve na professora Gadelha um baluarte e que o título foi roubado e até agora ainda se vê a injustiça. (…) Em aparte, o edil Geraldo Medeiros falou que, no dia 30 (trinta) de junho, chamou o Sr. Prefeito e, na presença do edil Ruy Mendes, disse que o povo não estava satisfeito, e pediu que nomeasse outra Comissão, e a resposta que teve é que ele não voltaria atrás. (…)

Ata da 37ª sessão ordinária do segundo período da Câmara Municipal de Parintins, 22 de agosto de 1980 (Livro de Atas de 1979–1980, p. 130).

1980 — GARANTIDO
1981

O modelo de julgamento implantado no ano anterior foi mantido, apesar de todos os protestos na Câmara dos Vereadores. O Garantido venceu novamente e conquistou o bicampeonato.

1982

O Festival mudou de local e passou a ser realizado no aeródromo, na área onde mais tarde seria construído o Bumbódromo. O Garantido venceu novamente. Com os títulos de 1980, 1981 e 1982, tornou-se o segundo boi a conquistar três vitórias consecutivas diretamente sobre o outro na história das disputas — lembre-se de que o tricampeonato do Caprichoso incluiu um W.O.

Para o Garantido, o tetracampeonato poderia vir no ano seguinte, igualando o feito do Caprichoso. E, depois dele, o tão desejado pentacampeonato, para superar o tetra do boi azul.

Mas a história de 1983 é muito mais complicada do que a simples ausência do Caprichoso, como é tão propagada pelo Garantido — a ponto de até pessoas do Caprichoso repetirem como se verdade fosse. A verdade é que, em 1983, a própria organização do Festival decidiu que não haveria disputa.

1983 O Festival em que não houve disputa

O ano de 1983 poderia ter marcado uma nova conquista histórica para o Garantido. Depois das vitórias de 1980, 1981 e 1982, o boi vermelho buscava o tetracampeonato. Se vencesse, igualaria a sequência de quatro títulos consecutivos conquistada pelo Caprichoso entre 1976 e 1979.

Mas, em 1983, não houve disputa. E, se não houve disputa, não houve campeão.

O Caprichoso não saiu por medo de perder

Ao longo dos anos, consolidou-se a versão de que o Caprichoso teria simplesmente “fugido” da disputa de 1983. Essa versão ignora todo o conflito que antecedeu o Festival.

A decisão de não participar já havia sido anunciada meses antes e não nasceu de qualquer receio de enfrentar o Garantido. O problema era outro: um confronto direto entre a direção do Caprichoso e a Prefeitura de Parintins. O conflito começou logo no primeiro ano da administração do prefeito Gláucio Bentes Gonçalves e de seu vice, Eduardo Costa Ferreira.

Naquele momento, o presidente do Caprichoso era Geraldo Medeiros. Ele e a direção do boi se opunham à condução do Festival pelo vice-prefeito, que era declaradamente ligado ao Garantido e chegava a se apresentar no tablado com seu boi. O Caprichoso já vinha contestando a organização e o julgamento dos Festivais anteriores. Diante desse novo cenário, pediu ao prefeito mudanças na condução do evento. Não foi atendido. Mas esse não era o único problema.

O fim dos ingressos e a crise com a Prefeitura

A nova administração municipal também decidiu retirar o Festival do estádio e acabar com a cobrança de ingressos. A decisão atingia diretamente as finanças dos bois.

A renda obtida com a bilheteria havia se tornado uma fonte importante para ajudar a custear as apresentações. Ao retirar o Festival do estádio e deixar de cobrar ingressos, a Prefeitura reduzia essa arrecadação sem apresentar, na visão do Caprichoso, uma contrapartida capaz de compensar a perda.

O prefeito argumentava que Parintins tinha problemas mais urgentes e outras prioridades para o dinheiro público, e a crise ganhou a cidade. Caprichoso e Prefeitura passaram a trocar acusações pelas rádios. O conflito deixou de ser apenas um problema interno do Festival e chegou à Câmara Municipal de Parintins. As atas da época mostram que a controvérsia já estava instalada muito antes das apresentações de junho.

O que dizem as atas da Câmara

(…) Falou sobre o Folclore que acha, em termos de educação e cultura, não aceita o desentendimento que houve entre a Comissão do Boi Caprichoso e do Sr. Prefeito Municipal, achando que não houve o diálogo tão necessário às pessoas de brios e bom senso para que houvesse o entendimento tão necessário. Falou que se digladiaram através da Rádio em verdadeiro desrespeito ao povo de Parintins. Falou sobre o dinheiro gasto com os cantores importados que levaram vários milhões que deveriam ficar em Parintins, o que vai quebrando a força do festival (…)

Livro de Atas 1982–1983, p. 130.

Também o vereador Admilson Duarte teve registrado seu discurso em plenário sobre entrevista que concedeu a uma emissora de rádio de Parintins, falando sobre a rusga entre o Caprichoso e a Prefeitura:

(…) Falou que deu entrevista ao repórter da Rádio Alvorada e disse que está achando estranho o envolvimento do Poder Público no Festival da maneira como está acontecendo. Falou que existem problemas mais graves a serem tratados. Disse que o Sr. Vice-Prefeito está tomando caminho que não deve. (…) existem necessidades mais prementes, a exemplo os buracos das ruas. Falou que o Vice-Prefeito deseja superar Grupo Folclórico com a sua incoerência.

Livro de Atas 1982–1983, p. 116, frente e verso.

O vereador Admilson ouviu em resposta o colega da Câmara, José Maria:

(…) Em aparte, o edil José Maria falou que ele (Admilson) não é parintinense e fica a causar problemas, acusando alguns parintinenses da Direção do Caprichoso. (…)

Livro de Atas 1982–1983, p. 116, frente e verso.

Já o vereador e presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Raimundo Desterro, chegou a dizer que a briga estaria até dividindo as famílias (Livro de Atas 1982–1983, p. 116, frente e verso).

O vereador José Maria Pinheiro se pronunciou novamente em favor do Caprichoso, com um discurso forte, sobretudo contra o pedido de alguns vereadores para proibir que qualquer tema do Festival fosse discutido na Câmara:

(…) Falou que no Regimento não tem nenhum item que proíba o vereador falar. Falou que a Direção do Boi Caprichoso vem brigando contra um prepotente e incapaz que é a vergonha dos filhos desta terra. (…)

Livro de Atas 1982–1983, p. 119, verso.

O vereador Orlando da Silva Hatta lamentou publicamente o desentendimento entre a direção do Caprichoso e o prefeito, afirmando que os dois lados haviam se enfrentado pelas rádios, e criticou também os gastos com artistas de fora enquanto o Festival enfrentava dificuldades. O vereador Admilson Duarte também questionou o envolvimento do Poder Público na organização do evento e criticou diretamente a atuação do vice-prefeito.

A crise chegou a dividir a própria Câmara — e, segundo registro do vereador Raimundo Desterro, até famílias da cidade.

Não estamos, portanto, diante de uma decisão tomada na véspera do Festival. A ausência do Caprichoso foi o desfecho de uma crise política, administrativa e financeira que se arrastava havia meses e estava publicamente registrada.

A Prefeitura tenta substituir o Caprichoso

O Caprichoso manteve sua decisão e não participou do Festival. Diante disso, a Prefeitura convidou o Boi Campineiro para ocupar o espaço deixado pelo boi azul.

Mas havia um problema evidente: Campineiro e Garantido não estavam em condições minimamente equivalentes de competição, e a própria Prefeitura reconheceu essa desigualdade. Pela primeira vez, repassou recursos ao Campineiro, numa tentativa de fortalecer sua apresentação e manter alguma forma de disputa naquele ano.

A tentativa não resolveu o problema. O Campineiro não tinha a mesma estrutura, a mesma quantidade de brincantes nem uma torcida comparável à do Garantido. Há, inclusive, registros dos próprios dirigentes do Campineiro relatando que, quando a apresentação do Garantido terminava, o público deixava o local e restavam pouquíssimas pessoas nas arquibancadas.

Ficava cada vez mais evidente aquilo que o Caprichoso sustentava: sem o confronto entre Caprichoso e Garantido, não existia a mesma disputa que dava sentido ao Festival.

A organização cancelou a disputa

Diante da desigualdade entre Garantido e Campineiro e da crescente pressão em torno do Festival, a própria organização tomou a decisão definitiva: não haveria disputa em 1983. Garantido e Campineiro poderiam se apresentar, mas não haveria julgamento, não haveria vencedor e não haveria campeão.

Esse é o ponto central de toda a história.

1983 — SEM DISPUTA. E, se não houve disputa: 1983 — SEM CAMPEÃO.

Aqui está um dos títulos que não cabem na conta

É aqui que a recontagem encontra um dos títulos excedentes. A versão repetida ao longo dos anos atribui ao Garantido um tetracampeonato entre 1980 e 1983. Mas essa sequência depende de transformar 1983 em título. E 1983 não teve disputa.

Portanto, o Garantido foi tricampeão entre 1980 e 1982. Não foi tetracampeão em 1983. E isso produz uma consequência inevitável para o ano seguinte: se não houve tetracampeonato em 1983, não poderia haver pentacampeonato em 1984.

Ou seja, com a história trazida à luz, temos duas falácias caindo por terra:

  1. O Caprichoso não fugiu da disputa (como o Garantido o fez em 1978), mas iniciou um embate contra a Prefeitura, do qual restou comprovado que seu movimento já estava consagrado na cidade e que sua participação era, sim, vital para a continuidade do Festival. Já naquela época, o Festival atraía turistas e visitantes cujo interesse era a disputa entre Caprichoso e Garantido. Não foi covardia — foi coragem e ousadia!
  2. Com a disputa cancelada pela organização do Festival, não houve nenhum vitorioso. Desta forma, o Garantido não conquistou seu tetracampeonato e, por tabela, é inexistente e meramente falaciosa a conquista de um pentacampeonato no ano seguinte.

1984 Houve título, mas não houve pentacampeonato

Em 1984, Caprichoso e Garantido voltaram a se enfrentar no Festival. Houve disputa. Houve julgamento. E o Garantido venceu. O título de 1984 existe. O pentacampeonato, não!

O problema não está no título de 1984. O problema está na forma como ele passou a ser contado. Ao incorporar 1983 à sua sequência de vitórias, o Garantido transformou o título de 1984 no quinto de uma série que, historicamente, havia sido interrompida no ano anterior.

A contagem difundida

  • 1980 Garantido
  • 1981 Garantido
  • 1982 Garantido
  • 1983 Garantido
  • 1984 Garantido

A sequência histórica correta

  • 1980 Garantido
  • 1981 Garantido
  • 1982 Garantido
  • 1983 SEM DISPUTA
  • 1984 Garantido

O Garantido foi tricampeão entre 1980 e 1982. E voltou a ser campeão em 1984. São quatro títulos legítimos em cinco anos. Mas não são quatro títulos consecutivos — e muito menos cinco.

Muito embora o embate com o prefeito ainda tenha rendido a derrota de 1984, a resistência do Caprichoso em 1983 surtiu efeito anos depois, dissuadindo o prefeito de manter o fim da venda de ingressos, conforme registro no Livro de Atas 1986–1987, p. 18, frente e verso:

(…) o edil Raimundo Desterro (…) apresentou o Projeto de Lei nº 003/86 – CMP – concede o título de Honra ao Mérito ao Sr. Gláucio Bentes Gonçalves, Prefeito Municipal de Parintins, e dá outras providências. Falou de uma pessoa que, quando erra e querendo acertar, Sr. Gláucio Bentes Gonçalves, que pela sua atitude e evitando a má querência dos bois de Parintins, desejando que o Festival seja brilhante, deu os camarotes e cadeiras aos bois, para ajudá-los. (…)

Livro de Atas 1986–1987, p. 18, frente e verso.

1984 — GARANTIDO

A segunda metade dos anos 80 seguiu sem grandes polêmicas

1985

Depois de um longo hiato, o Caprichoso reconquistou o título, com uma diferença brutal de 160 a 40, e começou seus preparativos para os incríveis anos 90.

1986

Vitória do Garantido.

1987

Vitória do Caprichoso.

1988

Primeiro ano do Bumbódromo. Vitória do Garantido.

1989

Vitória do Garantido.

Placar acumulado até 1989
CAPRICHOSO10
×
12GARANTIDO
22 disputas

Os anos 90 — sem dúvidas na recontagem

1990

Vitória do Caprichoso.

1991

Vitória do Garantido.

1992

Vitória do Caprichoso.

1993

Vitória do Garantido.

1994

Vitória do Caprichoso.

1995

Como fato relevante, a partir desse ano o Governo do Estado assumiu a organização do Festival. Vitória do Caprichoso.

1996

Vitória do Caprichoso.

1997

O Caprichoso venceu nos pontos dos jurados, porém foi penalizado em 10 (dez) pontos em razão de seu apresentador, Gil Gonçalves, ter feito um agradecimento ao então Governador, Sr. Amazonino Mendes. Estava no protocolo os dois bois fazerem o mesmo agradecimento, anulando as penalidades. Porém, o Garantido descumpriu o acordo e exigiu a penalidade, conquistando o campeonato com essa impugnação.

1998

Arlindo Junior foi Apresentador e Levantador no mesmo Festival, em todas as noites, vencendo nos dois itens. Vitória do Caprichoso por 631,5 a 628,5.

1999

Vitória do Garantido.

Placar acumulado até 1999
CAPRICHOSO16
×
16GARANTIDO
32 disputas

Os anos 2000 — um novo século, um empate perfeito

O século XX caminhava para o fim sem conseguir responder a uma pergunta que atravessou décadas de rivalidade: quem venceu mais?

Depois de 32 disputas entre Caprichoso e Garantido, o placar histórico estava rigorosamente empatado: 16 vitórias para cada lado. Nenhuma vantagem. Nenhuma diferença. Um empate perfeito.

E então chegou o ano 2000. Um novo ano. Um novo século. Um novo milênio. E, como se a história tivesse resolvido brincar com a própria matemática, Caprichoso e Garantido fizeram justamente aquilo que nunca haviam feito antes: empataram.

O século XX terminou com os dois bois iguais na história. E o século XXI começou sem conseguir separá-los.

2000

Caprichoso e Garantido. O primeiro e único empate da história do Festival, sacramentado de forma polêmica durante a apuração. Acredite se quiser: teve gente que arrancou folha do caderno de notas e saiu correndo para evitar a vitória do Caprichoso.

2001

Vitória do Garantido.

2002

Vitória do Garantido.

2003

Vitória do Caprichoso.

2004

Vitória do Garantido.

2005

Vitória do Garantido.

2006

Último ano de Arlindo Jr. como Levantador de Toadas. Após o Festival, Arlindo Jr. foi desligado do cargo pelo Conselho de Artes e pelo presidente da época, Carmona Oliveira. Arlindo soube pela imprensa. Vitória do Garantido.

2007

Vitória do Caprichoso.

2008

Vitória do Caprichoso.

2009

Vitória do Garantido.

Placar acumulado até 2009
CAPRICHOSO20
×
23GARANTIDO
42 disputas (com 1 empate)

Os anos 2010

2010

Vitória do Caprichoso.

2011

Vitória do Garantido.

2012

Vitória do Caprichoso.

2013

Vitória do Garantido.

2014

Vitória do Garantido.

2015

Vitória do Caprichoso.

2016

O Festival mais atacado de toda a história. Nesse ano, o então governador, José Melo, resolveu cortar as verbas do Festival de Parintins (e de tantos outros), sob a justificativa de que precisava gastar dinheiro com a saúde, e não com festa. Inicialmente o discurso agradou parte da população, que nunca procurou saber do retorno financeiro que um festival do porte de Parintins entrega não somente para o município, mas para o próprio Estado. Não demorou muito: pessoas ligadas ao governo, fornecedores e o próprio governador foram presos por corrupção e desvio de dinheiro — adivinhem onde? Pois é: justamente na pasta da saúde. Vitória do Garantido.

2017

Vitória do Caprichoso.

2018

Vitória do Caprichoso.

2019

Vitória do Garantido.

Placar acumulado até 2019
CAPRICHOSO25
×
28GARANTIDO
52 disputas (com 1 empate)

O Festival parou pela pandemia

2020

Não houve Festival ou disputa. Por conta da pandemia, foi feita somente uma única apresentação, com transmissão pela internet e pela TV A Crítica.

2021

Não houve Festival ou disputa. Por conta da pandemia, foi feita somente uma única apresentação, com transmissão pela internet e pela TV A Crítica.

2022

Vitória do Caprichoso.

2023

Vitória do Caprichoso.

2024

Vitória do Caprichoso.

2025

Vitória do Garantido.

2026

Vitória do Caprichoso.

Não tentei detalhar a história recente, pois temos vastos materiais — inclusive vídeos no YouTube das apurações de pelo menos duas décadas —, além de os troféus estarem mais bem preservados e com o grafismo e a marcação de títulos e datas muito mais legíveis.

No fim, é só fazer as contas

Chegamos a 2026. Depois de voltar ao começo do Festival, separar participação de disputa, revisitar os anos controversos e recontar cada resultado, chegamos ao placar:

CAPRICHOSO29
×
29GARANTIDO
57 disputas · 58 títulos

E a conta fecha. Foram 57 disputas entre Caprichoso e Garantido. Em 56 delas, houve um único campeão. Em 2000, aconteceu o único empate da história, e uma única disputa produziu dois títulos.

57 disputas + 1 título adicional pelo empate = 58 títulos

29 títulos do Caprichoso + 29 títulos do Garantido = 58 títulos

Não sobra nenhum. Não falta nenhum.

Não é preciso inventar disputa onde não houve disputa. Não é preciso transformar festa paralela em Festival oficial. Não é preciso criar campeão em ano que terminou sem julgamento. Não é preciso repetir uma versão apenas porque ela foi repetida por muito tempo.

A história comporta 58 títulos. E esta recontagem encontrou exatamente 58.

Talvez alguém discorde de um episódio. Talvez questione uma fonte, uma memória ou a interpretação de determinado ano — e isso é legítimo. A história de um Festival com mais de seis décadas, construída também pela oralidade e atravessada pela maior rivalidade da cultura popular brasileira, dificilmente será contada sem controvérsias. Mas qualquer outra contagem precisa responder à mesma pergunta que deu origem a este texto:

A conta fecha?

Porque a história pode ser debatida. As versões podem ser confrontadas. As memórias podem divergir. Mas, no fim, os números precisam caber dentro da própria história.

E, às vezes, para encontrar a verdade, basta fazer o mais simples:

É SÓ FAZER AS CONTAS.

Repetir uma mentira por muito tempo pode até fazer todos acreditarem que é verdade — mas não faz com que a mentira se transforme em verdade.

Fontes

COMPRANDO SEU BILHETE DE TREM PARA MACHU PICCHU

Existem algumas formas alternativas de se chegar a Machu Picchu, mas a forma mais comum e confortável é indo de trem. A ferrovia foi toda construída seguindo o rio Urubamba (que no Brasil se chama Amazonas) em uma viagem confortável de algumas poucas horas. Você pode comprar seu bilhete de trem antecipadamente, pela internet e aproveitar algumas promoções, saiba como agora mesmo.

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Visit Amazonas

Get ready to discover a world of superlatives, filled with history, culture, a rich gastronomy and lots of adventure! Stay in the heart of jungle, walk through it, visit native indian villages, swim with the dolphins, taste the tucumã, cupuaçú, açaí and know a pre historic fish, the Pirarucú!

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CIDADELA DE MACHU PICCHU

Também conhecida como MACHU PICCHU PUEBLO ou ainda, ÁGUAS CALIENTES, a cidadela situa-se aos pés da montanha que abriga Machu Picchu, sendo, portanto, passagem obrigatória para chegar na cidade perdida dos Incas. Só que ela é usada majoritariamente apenas como passagem, mas Águas Calientes oferece um pouco mais que só o acesso à Machu Picchu

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COLÔNIA DEL SACRAMENTO – URUGUAI

[REVISADO EM FEV’2022]

Um museu a céu aberto e um dos principais destinos turísticos do Uruguai, Colônia foi declarada Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO. A cidade funciona bem tanto como uma escala de um dia entre as capitais Montevidéu e Buenos Aires, bem como para viagem do tipo “bate e volta”.

Então, vamos lá?

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